|
PAULO SANTANA CRITICA O FATOR PREVIDENCIÁRIO
EM SUA COLUNA DE ZERO HORA
Aposentadorias degradadas

Acontece
o seguinte: no governo Fernando Henrique Cardoso, foi instituído
o fator previdenciário.
Trata-se
de um mecanismo que determina um corte de até 40% nas aposentadorias
dos trabalhadores, conforme a idade do cidadão, mesmo que
ele já tenha cumprido todo o tempo de contribuição.
O
corte varia de acordo com a idade de quem se aposenta (menos idade,
maior o corte). Os mais penalizados são aqueles que começaram
a trabalhar mais jovens, que cumprem o tempo de contribuição
mas têm de continuar a trabalhar para não sofrerem
o corte.
Outra
herança trágica para o trabalhador instituída
no governo Fernando Henrique Cardoso foi a desvinculação
do reajuste de todas as aposentadorias com o reajuste do salário
mínimo. Por essa separação, os governos Fernando
Henrique e Lula jactam-se de concederem reajustes consideráveis
no salário mínimo, mas não atribuem às
outras aposentadorias com valor superior ao salário mínimo
o mesmo índice de reajuste.
Quem
ganha na aposentadoria mais que um salário mínimo
tem recebido reajuste insignificante em comparação
ao salário mínimo, ocasionando por exemplo a perversidade
de que quem ganha cinco salários mínimos na aposentadoria
vê reduzidos seus proventos, em poucos anos, para três,
para dois salários mínimos, logo adiante passará
a ganhar um só salário mínimo.
Vai
subindo cada vez mais o valor do salário mínimo, reajustado
em nível altamente compensador, enquanto que as aposentadorias
maiores sofrem um arrocho que tem sido desumano.
Tanto
o fator previdenciário quanto o não-acompanhamento
do reajuste das aposentadorias em geral com o do salário
mínimo constituem-se em perversidade do governo com os aposentados,
que ficam por esses dispositivos condenados à opressão
salarial ou a trabalhar por tempo excessivo ao do exigido para a
contribuição.
Os
aposentados brasileiros vêm sofrendo ano a ano degradação
de seus ganhos, eles que já entregaram toda sua vida ao trabalho
e agora precisam mais do que nunca de proventos minimamente dignos,
com reajustes de índices iguais ao do salário mínimo.
O
governo mesmo informou que nos últimos sete anos poupou R$
10 bilhões graças ao fator previdenciário.
A
seguridade, que compreende previdência, saúde e assistência
social, é superavitária. Parte desse superávit
tinha de ser destinada aos cada vez mais precários proventos
dos aposentados.
Para
mudar esse quadro, o senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou projeto
no Senado Federal que acaba com o fator previdenciário e
revincula os proventos dos aposentados ao índice de reajuste
do salário mínimo.
Foi
tanta a repercussão do esforço do senador Paim, que
o projeto foi aprovado por unanimidade no Senado.
Mas
o governo, que tem maioria absoluta na Câmara, onde será
decidida a questão, não concorda com a mudança.
Anteontem,
foi realizado em Brasília um evento que visou à mobilização
dos deputados federais para essa importante questão previdenciária
e social, sob a liderança do senador Paim e da deputada federal
Luciana Genro (PSOL-RS), dois gaúchos na liderança
dessa luta pela redenção das aposentadorias.
E,
no próximo dia 29, esse ato pela luta contra a opressão
salarial dos aposentados será realizado aqui em Porto Alegre,
às 14h, no auditório da Fetag e às 18h na Esquina
Democrática.
É
imprescindível que os aposentados gaúchos lá
compareçam, como o público em geral, para levar à
frente esta luta por uma política que visa a desconstituir
o empobrecimento e a inanição dos aposentados brasileiros.
Texto publicado na coluna de Paulo Santana, em 16 de maio
na Zero Hora.
PAULO SANTANA PUBLICA COMENTÁRIO DA FETAPERGS
Caro Paulo Santana,
Em
nome dos aposentados, a FETAPERGS (Federação dos Trabalhadores
Aposentados e Pensionistas do RS) agradece e o cumprimenta pela
maneira objetiva e precisa com que a questão do fator previdenciário
foi apresentada em sua coluna de 16 de maio.
Com
certeza o texto colabora para o esclarecimento de tamanha injustiça
imposta aos aposentados e pensionistas de todo o país. Se
a imprensa brasileira tivesse mais jornalistas com sua lucidez,
certamente nossos problemas seriam minorados.
Atenciosamente,
Iol
Alves Medeiros
1º
vice-presidente da FETAPERGS
51.32861660
Voltar
|